segunda-feira, 6 de abril de 2009

HERMETO PASCOAL - CÉREBRO MAGNÉTICO


Hermeto Pascoal (Lagoa da Canoa, 22 de junho de 1936) é um compositor arranjador e multiinstrumentista brasileiro (toca acordeão, flauta, piano, saxofone, trompete, bombardino, escaleta, violão e diversos outros instrumentos musicais)
Os sons da natureza o fascinaram desde pequeno. A partir de um cano de mamona de gerimum (abóbora), fazia um pífano e ficava tocando para os passarinhos. Ao ir para a lagoa, passava horas tocando com a água. O que sobrava de material do seu avô ferreiro, ele pendurava num varal e ficava tirando sons. Até o acordeão de 8 baixos de seu pai, de sete para oito anos, ele resolveu experimentar e não parou mais. Dessa forma, passou a tocar com seu irmão mais velho José Neto, em forrós e festas de casamento, revezando-se com ele no acordeão e no pandeiro.
Mudou-se para o Recife em 1950, e foi para a Rádio Tamandaré. De lá, logo foi convidado, com a ajuda de Sivuca (acordeonista conhecido), para integrar a Rádio Jornal do Commercio, onde José Neto já estava. Formaram o trio "O Mundo Pegando Fogo", segundo Hermeto, ele e seu irmão estavam apenas começando a tocar acordeão, ou seja, eles só tocavam o acordeão de 8 baixos até então.
Porém, por não querer tocar pandeiro e sim acordeão, foi mandado para a Rádio Difusora de Caruaru, como refugo, pelo diretor da Rádio Jornal do Commercio, o qual disse-lhe que "não dava para música". Ficou nessa rádio em torno de três anos. Quando Sivuca passou por lá, fez muitos elogios sobre o Hermeto ao diretor dessa rádio, o Luis Torres, e Hermeto, por conta disso, logo voltou para a Rádio Jornal do Commercio, em Pernambuco, ganhando o que havia pedido, a convite da mesma pessoa que o tinha mandado embora. Ali, em 1954, casou-se com Ilza da Silva, com quem viveu 46 anos e teve seis filhos: Jorge, Fabio, Flávia, Fátima, Fabiula e Flávio. Foi nessa época também que descobriu o piano, a partir de um convite do guitarrista Heraldo do Monte, para tocar na Boate Delfim Verde. Dali, foi para João Pessoa, onde ficou quase um ano tocando na Orquestra Tabajara, do maestro Gomes.
Em 1958, mudou-se para o Rio de Janeiro para tocar acordeão no Regional de Pernambuco do Pandeiro (na Rádio Mauá) e, em seguida, piano no conjunto e na boate do violinista Fafá Lemos e, em seguida, no conjunto do Maestro Copinha (flautista e saxofonista), no Hotel Excelsior.
Atraído pelo mercado de trabalho, transferiu-se para São Paulo em 1961, tocando em diversas casas noturnas. Depois de um tempo, formou, juntamente com Papudinho no trompete, Edilson na bateria e Azeitona no baixo, o grupo Som Quatro . Foi aí que começou a tocar flauta. Com esse grupo gravou um LP. Em seguida, integrou o Sambrasa Trio, com Cleiber no baixo e Airto Moreira na bateria. No disco do Sambrasa Trio, Hermeto já registrou sua canção "Coalhada".
Com o florescimento dos programas musicais de TV, criaram o Quarteto Novo, em 1966, sendo Hermeto no piano e flauta, Heraldo do Monte na viola e guitarra, Théo de Barros no baixo e violão e Airto Moreira na bateria e percussão. O grupo inovou com sua sonoridade refinada e riqueza harmônica, participando dos melhores festivais de música e programas da TV Record, representando o melhor da música brasileira. Nessa época, venceram um dos festivais com "Ponteio", de Edu Lobo. Além disso, Hermeto ganhou várias vezes como arranjador. No ano seguinte gravou o LP "Quarteto Novo", pela Odeon, onde registrou suas composições "O Ovo" e "Canto Geral".
Em 1969, a convite de Flora Purim e Airto Moreira, viajou para os Estados Unidos e gravou com eles dois LP, atuando como compositor, arranjador e instrumentista. Nessa época, conheceu Miles Davis e gravou com ele duas músicas suas: "Nem um Talvez" e "Igrejinha". De volta ao Brasil, gravou o LP "A Música Livre de Hermeto Pascoal", com seu primeiro grupo, em 1973.
Em 1976, retornou aos Estados Unidos, gravou o "Slaves Mass" e realizou mais alguns trabalhos com Airto e Flora.
Com o nome já reconhecido pelo talento, pela qualidade e por sua criatividade, tornou-se a atração de diversos eventos importantes, como o I Festival Internacional de Jazz, em 1978, em São Paulo. No ano seguinte, participou do Festival de Montreux, na Suíça, quando é editado o álbum duplo "Hermeto Pascoal ao vivo", e seguiu para Tóquio, onde participou do "Live Under the Sky". Lançou o "Cérebro Magnético" em 1980 e multiplica suas apresentações pela Europa.
Em 1982, lançou, pela gravadora Som da Gente, o LP "Hermeto Pascoal & Grupo". Em 1984, pelo mesmo selo, gravou o "Lagoa da Canoa", em que registrou pela primeira vez "Som da Aura" com os locutores esportivos Osmar Santos (Tiruliru) e José Carlos Araújo (Parou, parou, parou). Esse disco também foi em homenagem à sua localidade natal, que se elevou, então, à categoria de município e conferiu-lhe o título de "cidadão honorário". Em 1986, o Brasil Universo, também com seu grupo.
Compôs ainda a "Sinfonia em Quadrinhos", apresentando-se com a Orquestra Jovem de São Paulo. Em seguida, foi para Copenhague, onde lançou a "Suite Pixitotinha", que foi executada pela Orquestra Sinfônica local, em concerto transmitido, via rádio, para toda a Europa.
Em 1987, lançou mais um LP, "Só não toca quem não quer", em que homenageia jornalistas e radialistas, como reconhecimento pelo seu apoio ao longo da carreira. Em 1989, fez seu primeiro disco de piano solo, o LP duplo "Por Diferentes Caminhos".
Em 1992, já pela Philips, gravou com seu grupo o Festa dos Deuses. Depois do lançamento, viajou à Europa para uma série de concertos na Alemanha, na Suíça, na Dinamarca, na Inglaterra e em Portugal.
Em março de 1995, apresentou uma sinfonia no Parque Lúdico do Sesc Itaquera, em São Paulo, utilizando os gigantescos instrumentos musicais do parque. No mesmo ano foi a convite da Unicef para Rosário (Argentina), onde se apresentou para duas mil crianças, sendo que seu grupo entrou para tocar dentro da piscina montada no palco a pedido dele.

De 23 de junho de 1996 a 22 de junho de 1997, registrou uma composição por dia, onde quer que estivesse. Essas composições fazem parte do "Calendário do Som", livro de 414 páginas lançado em 1999 pela Editora Senac. O objetivo é homenagear todos os aniversariantes do mundo, incluindo uma canção a mais, para os que haviam nascidos em ano bissexto.
As partituras manuscritas por Hermeto, foram digitalizadas fielmente por Becca Lopes, mantendo a originalidade com a qual o músico e compositor escreveu sem qualquer tipo de alteração gráfica e em cada uma das 366 partituras, Hermeto faz um comentário ou reflexão afetuosa sobre amigos, familiares, músicos, seu Fluminense Football Club e objetos em geral, sempre finalizando com a frase “Tudo de bom sempre”.
Em 1999 lançou o CD "Eu e Eles", primeiro disco do selo Mec, no Rio de Janeiro. Nesse CD produzido por seu filho Fábio Pascoal, Hermeto toca todos os instrumentos. Em 2003, lançou, com seu grupo, o CD "Mundo Verde Esperança", também produzido por Fábio.
Em outubro de 2002, durante um workshop em Londrina, conheceu a cantora Aline Morena e a convidou para dar uma canja no dia seguinte com o seu grupo em Maringá. Em seguida ela o acompanhou ao Rio de Janeiro e, no fim de 2003, Hermeto passou a residir com ela em Curitiba. Assim, passou a dar-lhe noções de viola caipira, piano e percussão e, em março de 2004 estreou no Sesc Vila Mariana a sua mais nova formação: o duo "Chimarrão com Rapadura" (gaúcha com alagoano), com Aline Morena.
Em abril de 2004, embarcou para Londres para o terceiro concerto com a "Big Band" local. Em seguida realizou mais alguns espetáculos solo em Tóquio e Quioto.
Em 2005 gravou o CD e o DVD "Chimarrão com Rapadura" com Aline Morena, além de realizar duas grandes turnês com seu grupo por toda a Europa. O CD e o DVD de Hermeto Pascoal e Aline Morena foram lançados de maneira totalmente independente em 2006.
Atualmente, Hermeto Pascoal apresenta-se com cinco formações: "Hermeto Pascoal e Grupo", "Hermeto Pascoal e Aline Morena", "Hermeto Pascoal Solo", "Hermeto Pascoal e Big Band" e "Hermeto Pascoal e Orquestra Sinfônica".

JARDS MACALÉ - APRENDER A NADAR


Jards Anet da Silva (Rio de Janeiro, 3 de março de 1943), conhecido como Macalé, ou "da Selva", é um cantor e compositor brasileiro.
Nasceu no bairro da Tijuca, ao pé do Morro da Formiga, rodeado de música: no morro, os batuques; no vizinho, Vicente Celestino e Gilda de Abreu. E em casa, os foxes, as valsas e as modinhas tocadas pela mãe, dona Lígia, ao piano; o pai no acordeom; o coro familiar com Roberto (irmão caçula) e Jards. E no rádio, Orlando Silva, Marlene, Emilinha Borba.
SEU SOM É DE EXTREMA QUALIDADE!
RECOMENDADO PELA ATITUDE MPB

quinta-feira, 2 de abril de 2009

GONZAGUINHA - RECADO (1978)


Gonzaguinha era filho do também cantor e compositor Luiz Gonzaga e de Odaléia Guedes dos Santos, cantora do Dancing Brasil, que morreu de tuberculose aos 46 anos. Acabou sendo criado pelos padrinhos Dina e Xavier.
Compôs a primeira canção Lembranças da Primavera aos catorze anos, e em 1961, com 16 anos foi morar em Cocotá com o pai para estudar. Voltou para o Rio de Janeiro para estudar Economia, pela Universidade Cândido Mendes. Na casa do psiquiatra Aluízio Porto Carrero, conheceu e se tornou amigo de Ivan Lins. Conheceu também a primeira mulher, Ângela, com quem teve dois filhos: Daniel e Fernanda. Teve depois uma filha com a atriz Sandra Pêra: Amora Pêra.
Foi nessa convivência na casa do psiquiatra, que fundou o Movimento Artístico Universitário (MAU), com Aldir Blanc, Ivan Lins, Márcio Proença, Paulo Emílio e César Costa Filho. Tal movimento teve importante papel na música popular do Brasil nos anos 70 e em 1971 resultou no programa na TV Globo Som livre exportação.
Característico pela postura de crítica à ditadura, submeteu-se ao DOPS, assim, das 72 canções mostradas, 54 foram censuradas, entre as quais o primeiro sucesso, "Comportamento Geral". Neste início de carreira, a apresentação agressiva e pouco agradável aos olhos da mídia lhe valeram o apelido de "cantor rancor", com canções ásperas, como "Piada infeliz" e "Erva rasteira". Com o começo da abertura política, na segunda metade da década de 1970, começou a modificar o discurso e a compor músicas de tom mais lírico, como "Começaria tudo outra vez", "Explode coração" e "Grito de alerta", e também temas de samba-enredo, como "O que é o que é" e "Nem o pobre nem o rei".
Teve músicas gravadas por muitos dos grandes intérpretes da MPB, como Maria Bethânia, Simone, Elis Regina, Fagner, e Joanna. Dentre estas, destaca-se Simone com os grandes sucessos de Sangrando, Mulher, e daí e Começaria tudo outra vez, Da maior liberdade, É, Petúnia Resedá.
Em 1975 dispensou os empresários e se tornou um artista independente, o que fez em 1986, fundar o selo Moleque, pelo qual chegou a gravar dois trabalhos.
Nos últimos doze anos de vida, Gonzaguinha viveu em Belo Horizonte com a segunda mulher Louise Margarete Martins -- Lelete e a filha deles, a caçula Mariana.
Após uma apresentação em Pato Branco, no Paraná, Gonzaguinha morreu aos 45 anos vítima de um acidente automobilístico às 07:30 horas do dia 29 de abril de 1991, entre as cidades de Renascença e Marmeleiro, enquanto dirigia o automóvel rumo à Foz do Iguaçu, encerrando tragicamente a brilhante carreira.
GRANDE TRABALHO DE GONZAGUINHA - CONSCIÊNCIA E QUALIDADE!

AIRTO MOREIRA - I´M FINE , HOW ARE YOU (1978)


GRANDE DISCO!
Aprendeu canto, piano, violino, bandolim e teoria musical em Ponta Grossa, e em 1956, mudou-se para Curitiba.
Em 1962 integrou o Sambalanço Trio, juntamente com César Camargo Mariano e Humberto Cláiber, entre 1966 a 1969 integrou o Quarteto Novo com Teo de Barros, Heraldo do Monte e Hermeto Pascoal, e no fim dos anos 1960 mudou-se para os Estados Unidos. Lá participou da gravação do álbum Bitches Brew de Miles Davis na faixa "Feio" que o definitivamente colocou no cenário da música internacional. Junto de sua esposa, a cantora Flora Purim, o mesmo gravou vários álbuns e co-produziu diversos de seus trabalhos. Um dos melhores instrumentistas do Brasil.

sábado, 28 de março de 2009

SAECULA SAUECULORUM (1976)




MARAVILHOSO!!!

MUTANTES - SEGUNDA FASE - CAVALEIROS NEGROS


FASE PROGRESSIVA DA BANDA COM EXCELENTE INSTRUMENTAL
Já sem Rita Lee, em 1973 os Mutantes estrearam o espetáculo, "2000 Watts de Som" e gravaram O A e o Z, LP que marcou de vez a adesão do grupo ao rock progressivo. Todas as suas faixas foram compostas e executadas sob o efeito de ácido lisérgico (LSD), o que desagradou a Polydor, que não aprovou o trabalho, o considerou sem valor comercial e decidiu não lançá-lo. Além de não comercializar o disco, a gravadora decidiu demitir a banda. O álbum seria lançado somente em 1992, pela PolyGram.
Os Mutantes continuam ativos, porém Arnaldo, debilitado pelo uso contínuo de drogas (em especial o LSD) e em depressão com o final de seu casamento, apresenta comportamentos patológicos, colecionando sacos cheios de lixo, a se comunicar numa espécie de idioma inventado por ele e a fazer planos de construir uma nave espacial. Arnaldo deixa a banda, seguido pelo baterista Dinho. Em 1974, depois de uma briga com os demais integrantes, o baixista Liminha é o próximo a abandonar o grupo.

Sérgio Dias decidiu manter a banda, mas teve de reformular toda a sua estrutura. No lugar de Arnaldo, Dinho e Liminnha entraram respectivamente Tulio Mourão, Rui Motta e Antônio Pedro Medeiros. A nova formação conseguiu um contrato com a Som Livre em 1974, que lançou Tudo Foi Feito Pelo Sol no ano seguinte.
Mesmo após o lançamento do LP, as discussões não cessaram. Em 1976, Sérgio demitiu Túlio e Antônio, substituídos por Luciano Alves e Paul de Castro. Arnaldo recusou todos os pedidos do irmão Sérgio para que voltassem a tocar juntos. Em 1977, a gravadora lançou Mutantes Ao Vivo, gravado no MAM do Rio de Janeiro. O álbum não agradou os fãs e a crítica.
Em 1978, Arnaldo se reuniu com a banda como convidado especial em uma única apresentação, mas não aceitou o convite de Sérgio para voltar aos Mutantes'. Com mais alguns desentendimentos, Sérgio decidiu terminar com o grupo. O fim não poderia ser mais melancólico: aproximadamente duzentas pessoas comparecem ao último concerto do grupo, em 6 de junho em Ribeirão Preto

quarta-feira, 25 de março de 2009

O TERÇO - CRIATURAS DA NOITE E MUDANÇAS DE TEMPO




Na história do grupo O Terço, que tem suas origens em 1968, estão três bandas da longínqua década de 60 - Joint Stock Co., Hot Dog e Os Libertos, por onde iniciaram o guitarrista Sérgio Hinds, o baixista César das Mercês e o baterista Vinícius Cantuária. O grupo Os Libertos, então formado pelos três músicos citados acima, era uma atração que agitava as domingueiras do Rio de Janeiro. A banda ainda se chamaria Santíssima Trindade. Em 1970 ou 71, César das Mercês é substituído por Jorge Amiden. Agora passam a se chamar O Terço. O conjunto, como já puderam ter percebido, era originário do Rio de Janeiro, mas depois iria radicar-se em São Paulo. O Terço começou cantando um rock que eles mesmos classificariam posteriormente de "grosseiro" (Chuck Berry, Bo Diddley, etc.), na periferia do Rio de Janeiro. Na época, eram rivais do A Bolha (outra histórica banda nacional), mas mudaram o estilo, concentrando-se nos vocais e fizeram muito sucesso com a canção "Tributo ao Sorriso" (que voltará a ser mencionada mais abaixo), inclusive entre o público não apreciador de rock. Sobre o significado da palavra terço, é claro que é um "fracionário que corresponde a três" ou a "terça parte de alguma coisa", inclusive a do Rosário, conjunto de contas utilizado na liturgia Católica para computar um determinado número de orações (quinze Pai-Nossos e quinze Ave-Marias). O nome O Terço caiu como uma luva pelo menos para essa primeira formação da banda, que era a de trio (guitarra-baixo-bateria). Sérgio Hinds, perguntado de onde foi tirado o nome do grupo disse: O Terço como trio e o símbolo do rosário representando união. Segundo Marcelo Dolabela, em seu ABZ do Rock Brasileiro, o grupo teria lançado dois compactos simples ainda antes do primeiro LP. Aquela era a época do Rock Rural e do Rock Progressivo, e O Terço seguiu estas sonoridades. Sobre o ano de lançamento do LP de estréia: o site Casa do Rock 70 informa que foi em 1969; Leonardo Nahoum, em sua Enciclopédia do Rock Progressivo, em 1970; e Marcelo Dolabela, em 1972. Parece haver maior unanimidade com relação à segunda data, 1970.O primeiro LP, intitulado simplesmente O Terço, tratando-se pois de um disco homônimo, apresenta um rock tipo anos 50, 60, com leves tintas progressivas. Segundo uma fonte, há música(s) em "English" neste play. Neste primeiro trabalho, o grupo ainda revoltou alguns católicos fanáticos, ao posarem de jeans, camisetas e descalços dentro de uma igreja para a foto da capa. As faixas do disco são: Nã / Plaxe voador / Yes, I do / Longe sem direção / Flauta / I need you / Antes de você... eu / Imagem / Meia-noite / Saturday dream / Velhas histórias / Oh! Suzana. Em outubro de 1970, O Terço participou do V FIC (Festival Internacional da Canção), com a música "Tributo ao Sorriso", que foi classificada em nono lugar. O gupo Módulo 1000 também esteve presente nesta mesma versão do festival. Neste mesmo ano de 1970, o grupo trabalhou com o empresário Marinaldo Guimarães, um personagem típico da época, preocupado sempre em fazer o público pensar. O espetáculo "Aberto para Obras" pode ter representado o auge de suas proposições estéticas. Montado no Teatro de Arena do Largo da Carioca, o público entrava por estreitos corredores e se via separado dos palcos por cercas de arame farpado. Descobrindo finalmente como chegar a seus lugares, tinham que escolher entre olhar para baixo, onde estava o Módulo 1000, ou para cima, onde se encontrava O Terço. Abaixo havia também uma mulher preparando pipoca em um fogão e mais adiante, sentado em um vaso sanitário, o irmão de Jorge Amiden (d'O Terço) empunhando estático um violão por três horas seguidas, apenas para arrebentá-lo no final de tudo. Marcelo Dolabela ainda informa que O Terço chegou a lançar o compacto duplo O Visitante (Adormeceu/Doze Avisos/Meio Ouvinte/Teatro da Área Extraída da Suíte), entre o primeiro e o segundo discos. Segundo uma fonte, a banda participou do Festival Internacional da Canção de 1971 com a música O Visitante, contando com Hinds (guitarra), Vinícius Cantuária (bateria), Amiden (guitarra) e Mercês (baixo) e ostentando estranhos instrumentos no palco, como uma guitarra de três braços - a tritarra - ou um violoncelo elétrico.O segundo trabalho, também homônimo e lançado entre 1973 e 74 (outros afirmam que foi em 1972), traz uma sonoridade mais progressiva (segundo alguns, totalmente progressiva) e é, talvez, o disco mais homogêneo de toda sua carreira. Neste disco, há a participação de Luiz Paulo Simas (ex-Módulo 1000 e futuro Vímana) tocando synth e órgão na suíte de 19 minutos Amanhecer Total, uma das primeiras canções nacionais a usar o mini moog. Outro destaque deste LP é a música Deus. Li numa fonte que este álbum tem uma faixa chamada, veja só, "Rock do Elvis". A formação: Sérgio Hinds: guitarra, viola, vocais; Sérgio Magrão: baixo, vocais; Luiz Moreno: percussão, vocais; Flávio Venturini: piano, órgão, sintetizador, viola, vocais. Além de Deus (1ª faixa) e Rock do Elvis (5ª faixa), as outras faixas são: Você aí / Estrada vazia / Lagoa das lontras. Amanhecer total, a 6ª e última faixa, possui os seguintes movimentos: a) Despertar pro sonho. b) Sons flutuantes. c) Respiração vegetal d) Primeiras luzes no final da estrada. e) Cores. Quando enveredaram pelo caminho do som progressivo, principalmente a partir deste play, alguns críticos disseram que estavam querendo imitar Yes ou Focus. Assim mesmo, seus espetáculos lotavam os teatros. Jorge Amiden, o primeiro músico de que se tem notícia no mundo que apareceu tocando a tritarra, deixa O Terço para participar do grupo Karma, com o qual realiza um belíssimo disco acústico, com belas canções e lindos vocais. Dois anos depois, em 1975, seria lançado o LP que consagraria definitivamente a banda, formada então por Hinds (guitarra, viola, vocal), Luiz Moreno (bateria, percussão) e os mineiros Sérgio Magrão (baixo, vocal, outro ex-integrante do Joint Stock Co.) e Flávio Venturini (piano, teclados, viola, vocal, que já havia participado das bandas Os Turbulentos, Haysteacks, Crisalis e do movimento mineiro -de MPB- Clube da Esquina): Criaturas da Noite, cuja faixa-título, síntese perfeita de MPB com Prog Sinfônico, viraria hit nacional, vende centenas de milhares de cópias e presenteia o público brasileiro com uma das obras-primas do progressivo brasileiro, a clássica faixa 1974, que na opinião de alguns, é o hino do rock progressivo nacional. 1974 é composição do recém chegado Flávio Venturini, 12'21" de puro instrumental, ricamente arranjados e com diversos momentos melodicamente encantadores. Assim que entrou, Flávio logo havia mostrado suas composições e 4 foram imediatamente aprovadas para o disco Criaturas da Noite. Destas, 2 se transformaram em obras-primas do Progressivo, amadas e idolatradas até hoje: Criaturas da Noite e a inigualável 1974, magistral suíte instrumental. Outra música do mesmo álbum, Hey Amigo, também projeta definitivamente o nome do grupo. O Terço, ao lado dos Mutantes, era o grande nome do Rock brasileiro. Neste trabalho e em outros, a banda consegue soar como um conjunto de calibre internacional. O disco ainda teria uma surpreendente versão em inglês. Segundo outras fontes, este disco foi lançado em 1974. 1974 foi coreografada, por volta de 1977, pelo argentino Oscar Araiz, para o Royal Balet do Canadá, e apresentada em turnê pelo Canadá e Estados Unidos. Outro destaque de Criaturas da Noite é a sua belíssima capa. O título da obra é A Compreensão, de autoria de Antonio e André Peticov. Flávio Venturini levou para o conjunto elementos do movimento mineiro Clube da Esquina. Além das sonoridades do rock progressivo e da MPB, o grupo ainda tinha elementos de hard rock e de hard progressivo. Apesar do sucesso limitado (isso se compararmos o grupo com artistas de apelo mais popular daquele tempo), O Terço atingiu o status de cult entre os jovens da época, além de ter representado, para a juventude dos anos 70, o que a banda de heavy metal Sepultura simbolizou para os anos 90.

TEXTO:mr badguy